Tempo de Sonhar  

Na noite do dia 14 de setembro, canhões luminosos alternavam-se nas fachadas do Theatro Carlos Gomes. A luz despertou um passado de erudição adormecido desde os áureos tempos da Ilha. A atmosfera de Vitória transformou-se. A chuva prometida pela meteorologia cedeu lugar às estrelas e a um luar cenográfico. Quando a limusine branca surgiu, a multidão aglomerada na entrada do teatro abriu alas.

O tapete vermelho desenrolou-se, como sugere a tradição para o recebimento de celebridades. TVs mais atentas e jornalistas sensíveis não deixaram escapar o furo da chegada da Diva ao insuperável Templo Capixaba da Ópera.

Natércia Lopes ganhou uma noite memorável. Do universo e de pessoas, visíveis e invisíveis, capazes de amar a sua música. Inesquecível, como devem ser as noites de homenagem. Mágica, quando tecnologia e sensibilidade unem-se, com criatividade, arte e amor a quem faz jus à fama. Com a apresentadora da TV Vitória, Taís Venâncio, no comando do cerimonial, não restava dúvida que o evento seria uma conjunção de beleza, simpatia e competência.

O respeito às tradições e à artista cobriu mulheres elegantes com belos vestidos e homens com sóbrios ternos. Nenhum esforço para um crepúsculo ameno de inverno, em que o clima e a circunstância convidavam a um maior formalismo no vestuário.

Nem mesmo os que contrariaram o traje "passeio completo" - prescrito pelo cerimonial, por reverência à homenageada - desviaram a atenção de nossa estrela maior. Afinal, variedade na quantidade naquela noite só cabia à Natércia Lopes; e nada poderia chamar mais a atenção do que a elegância discreta, esperada por parte dos súditos de uma Diva, em sua Noite de Gala.

Os conteúdos editoriais da manhã perderam a chance de uma manchete justa, para saudar a expressão maior do canto lírico capixaba, em seus 40 anos de carreira. Mas nada parecia fazer falta, em tempo de sonho. Até porque o prazer de quem faz arte, como Natércia, nunca esteve em figurar em edições questionáveis, lidas, quase sempre, por uma minoria, que dificilmente se ocupará em atentar à beleza da sensibilidade musical.

Nenhuma novidade para quem nunca teve a compreensão de seu valor à altura, além de esperar quatro décadas de sucesso para ser reconhecida na terra que escolheu para brindar com o seu canto e magnetismo. Carisma que, a despeito de nenhuma divulgação espontânea digna, transformou em espectadores ávidos as poltronas vazias e os camarotes do teatro.

E quem precisa dos auspícios de Gutemberg em tempo de Redes Sociais e diante da potência de uma voz ímpar, consistente e cristalina, que ecoa mesmo com o microfone à altura da cintura? Pois é, Natércia sempre teve o seu valor e o seu público, independente de qualquer forma de negligência. O que lhe faltava mesmo, era oportunidade!

Uma tela de proporções cinematográficas descortinou a vida da cantora, resumida em 10 minutos. Foram apenas seis tomadas de biografia audiovisual para surpreender a platéia, ao reafirmar a luminosidade radiante, da trajetória de uma voz, lapidada por anos de dedicação, técnica e reconhecimento internacional recente.

Este, transmitido por satélite e falado em francês, a poucas horas do espetáculo. Refinado, como cada detalhe de uma noite que projetou magia e emoção nas telas dos sentidos de um público igualado pela condição de espectadores. Vips, na platéia, só os que se auto-intitulam como tal, por desconhecerem que a única personalidade digna de qualquer forma de diferenciação estava no palco - e na tela.

Falando em personalidades diferenciais Amylton de Almeida e Jeanne Bilich foram projetados em widescreen, comprovando, em imagem e som, que o jornalismo erudito tem feito muita falta, por ser uma forma peculiar de arte, ainda não reproduzida à altura. E talvez, nunca mais a seja!

Uma poesia, espiritualmente interpretada por Madalena Saleme, fez o link entre o cinema e o palco, pois qualquer falta de continuidade poria fim à ligação entre os elementos de um roteiro cuidadosamente elaborado para unir artes e fazer sonhar. E Madalena também é sonho e doçura!

Entre painéis eletrônicos - que adicionavam novas dimensões ao irreconhecível palco - e mobílias cenográficas envoltas por névoa tingida por iluminação de última geração, pirilampos tridimensionais sobrevoavam a platéia embriagada, enquanto uma voz de sereia seduzia a embarcação "Carlos Gomes" a flutuar sobre ondas oníricas, de mares nunca antes navegados... pelo imprevisível e misterioso oceano da ópera...

Decolava o teatro entre tons, fótons e pixels, para aterrissar em uma mescla de musical moderno, com aspectos de ópera tradicional.

Ao final, não poderia haver melhor demonstração de um Estado Presente, que ver o Governador e o Maestro da Filarmônica capixaba homenagearem à artista no cerne do sonho - o palco. Provas de que, não estamos em um tempo comum no Estado. E, aqueles que ainda insistem em não ver nosso Governo decolar, perderam a oportunidade de confirmá-lo em pleno vôo.

Organizado por um conjunto de empresas e esferas, entre as quais as Secretarias de Estado da Cultura - na pessoa de Joelma Consuelo - e da Secretaria de Segurança Pública, através do Tenente Benedito da Silva e do Coronel Vanderlei Rocha da PM-ES, que conceberam sua parte técnica e musical, o evento não poderia revelar maior diferencial em performance de um Estado, no esplendor de sua forma política e administrativa.

Ser capaz de olhar para as bases, lançando sobre o tecido social o corante do reconhecimento para evidenciar "pratas da casa" como Natércia Lopes, consolidou as intenções de uma gestão especial, que vê na Cultura mais que uma forma imprescindível de alimento: mas o combustível da alma!

Na orquestra, músicos da Polícia Militar do ES e o próprio Coronel Vanderlei Rocha na regência, mostravam que as "forças da ordem" têm sensibilidade inimaginável, sempre que o Estado se fizer presente com a essência de qualquer forma de orquestração: o espírito!

Natércia sempre foi Diva.

Legitimada com as honras do Governo do ES e aclamada pelo público capixaba, agora é assim reconhecida no cenário que mais ama: o Espírito Santo; que sempre foi sua e nossa casa!

Nas palavras de Felicidad Crístobal, Presidente de uma Fundação Mundial, que lançou um filme em Cannes - tendo a voz da Diva como trilha sonora: "Natércia , sua voz é única e magnífica!"

Como as pessoas capazes de sublimar desafios em novos horizontes, fazendo nosso Estado presente, além de todas as intenções e fronteiras, pelo simples prazer de amar o coletivo que descobre-se individualmente participante de uma fraternidade universal.

Parabéns, Natércia! Você será eterna e espiritualmente a nossa Diva!

  • Fotos de Caio Rezende (PowerVídeo) e Usina de Imagem (Vítor)
  • Cobertura do Show - TV Capixaba
  • Cobertura do Sh ow - TV Vitória
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